Luis Felipe Panisson
Descrever a amizade, em poucas palavras, não é nada fácil. Mas, mesmo assim, estou disposto a encarrar esse desafio. É claro, que não agraderei a todos. Se acham que me importo com as críticas, direi que quando construtivas, serão bem vindas. Caso, porém, sejam ofesivas e, principalmente, movidas por sentimentos invejosos, não me calarei. Responderei, a essas ofensas da mesma maneira. Nem que, tal atitude. gere consequências desagradaveis.
Deixando de lado meu ímpito emotivo e proseguindo com minha opinião sobre o assunto acima referido, a amizade. Vou seguir os conselhos do meu coração e deixarei a razão em segundo plano. Portanto, a amizade é algo que existe desde cedo. Mais precisamente ela tem ínicio, por incrível que pareça, nas carteiras da escola. Quem não lembra do primeiro dia de aula? Mães e pais tentando de todas as formas possíveis acalmarem os seus filhos e filhas. Como esquecer dessas lembranças. Lembro que alguns dos meus colegas choravam. Outros pareciam estar, como Alice, no "País das Maravilhas". Havia, também, crianças como eu, que observavam aquele mundo encantador e deslumbrante. Em certo momento, percebi um menino sentado em um banco, no pátio da escola. Seu semblante era triste. Pude notar que ninguém estava o acompanhando. Não vi sua mãe, muito menos seu pai.
Alguns devem estar se perguntando o que essas lembranças tem em comum com a amizade. Tenho quase certeza que outros estão cansados de ler essas linhas, que não demostram praticamente nada sobre o assunto citado na primeira linha desse texto. Peço paciência a todos e prometo que tentarei ser breve.
Começo dizendo que tudo o que foi descrito tem "sim" relação com esse sentimento que pode ser ingênuo, fútil e, acima de tudo, verdadeiro. Quero dizer, por fim, que me aproximei desse menino. Confesso que foi mais por curiosidade do que pelo fato dele estar sozinho. Após alguns instantes, ele confidenciou que era órfão. Vivia com uma tia que o detestava e só pensava na fortura que ele herdará de seus pais. Para a felicidade dessa mulher, o testamento de seu irmão, deixava-a com a guarda de Miguel, esse era o nome do menino triste que eu descrevia pouco.
Tenho que ser sincero. Aquela revelação acabou me abalando. Eu tinha tudo e não percebia. Um pai e uma mãe que me amavam. Irmãos, que apesar das disavensas, eram tudo para mim. Naquele momento, percebi que Miguel abriu meus olhos. Como gratidão, disse a ele que podíamos ser amigos. Ao ouvir essas palavras, ele sorriu. A partir daquele instante, uma "amizade verdadeira" teve início.
Tanto eu como Miguel, fizemos muitas amizades naquele dia. Com o passar do tempo fomos conhecendo melhor nossos colegas. Aprendemos muito com eles. Junto a eles descobrimos "o valor da verdadeira amizade". Mas, com eles descobrimos, também, o lado frio e sombrio do ser humano. A maioria das pessoas são movidas pela inveja e arrogância. É isso mesmo, não vou me calar. É o meu dever falar a verdade nua e crua. Uma grande parcela desses ditos amigos, eram e são no fundo falsos amigos. Foi na escola que aprendi a temer os aliados (amigos) em vez de temer os inimigos. Porque a qualquer momento, o seu aliado, pode te apulharar pelas costas. Já, do seu inimigo, você espera o ataque a qualquer hora.
Senti na pele o que acabei de escrever no parágrafo acima. Confesso que havia chegado no fundo do poço. A traição é, e sempre será, difícil de ser engolida. Descobrir que alguém especial está te traindo com um dos seus melhores amigos é algo incompreensível e imperdoavel. Não vou negar. Tentei o suicídio. Só não cometi tal ato graças aos meus verdadeiros e fiéis amigos. Mas, principalmente, por causa do Miguel. Suas palavras foram fundamentais. Abri os olhos e cheguei a conclusão que aquela atitude não erra a maneira correta de encarrar o que aconteceu. A minha vida era e é preciosa demais. Não valia apena desperdiçá-la devido ao que ocorreu. Como eu poderia jogá-la fora daquele jeito? Se, estava rodiado por pessoas que me amavam. Mais cedo ou mais tarde eu encontraria alguém que preencheria o vazio que tomou conta do meu coração. Era só uma questão de tempo.
Para encerrar, devo agradecer ao valor da verdedeira amizade. Sem ela, não teria como recomeçar. É claro, que não foi nada fácil. Mas, quem disse que existe algo fácil na vida. Sendo assim, deixo o seguinte recado para quem chegou até essa linha: " Por mais que as falsas amizades levem você a desistir de tudo, lembrem-se dos seus verdadeiros amigos. Digam para si mesmos que a verdadeira amizade está acima de qualquer sentimento destrutivo. Ela é, e sempre será, superior as armadilhas do destino. Nada e ninguém será capaz de destruí-la. Isso é fato, é realidade".